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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Influenza A H1N1: um mercado promissor

Há alguns meses estamos acompanhando o desenvolvimento do vírus Influenza A H1N1, gripe A, suína ou seja lá como quer chamar.

Diariamente somos bombardeados por "novas" informações pela mídia, que no final das contas nos dizem as mesmas coisas, apenas com novos números de casos e de mortes. Porém, muitos de nós receptores não estão preparados para receber estas estatísticas. Pois bem, vamos levantar alguns dados nos seguintes parágrafos para facilitar a compreensão.

Em geral, estamos todos preocupados com o agravamento da pandemia e de sua ligação com a gripe espanhola em 1918 que matou 40 milhões de pessoas (índice de mortalidade de 6%), atingindo 1/3 da população mundial.

Agora eu lhes pergunto: Lembram-se da crise econômica que estamos atravessando (aaah, a crise!)?

Pois é, aquela crise que estava dando um sufoco nos norte-americanos, onde alguns países emergentes poderiam tirar uma lasquinha e sair da crise com menores danos à suas economias e grandes oportunidades para se desenvolver (inclua o Brasil nessa!). Surge a Gripe A, uma pandemia que representa uma grande ameaça para a humanidade (olá, eu sou uma gripe que mata, me dá atenção!).

Em Curitiba, as aulas das faculdades e colégios estão interrompidas e a decisão vale até dia 10 de agosto, podendo ser prorrogada. O nível de transmissibilidade está em 2, numa escala de 1 a 3, onde há grandes indícios de que o nível 3 está por vir. O nível 3 representa estado de calamidade pública, ou seja, o transporte coletivo para, comércio e todos os serviços param, a não ser os serviços de saúde, o exército vai às ruas para garantir que as pessoas não saiam de suas casas. Concordam comigo que é um belo atraso para a economia local, nacional e até dos países latino-americanos que estão sob as mesmas condições?

Li, esses dias, na internet sobre como o vírus surgiu. Na teoria, foi originado pelo encontro dos três vírus que originariam o Influenza A H1N1, o que não é muito provável que aconteça naturalmente (laboratório?).

Achei interessante considerarmos alguns dados sobre a gripe aviária, aquela que nunca mais ouvimos falar. Em 1996, a Gilead Sciences patenteou o Tamiflu, medicamento contra vários tipos de gripe, e Donald Rumsfeld era o presidente da empresa. Em 2001, Rumsfeld foi nomeado secretário de defesa pelo presidente George W. Bush. Com o surto da gripe aviária, a projeção de mortes que poderiam ser causadas pela gripe nos EUA era de 2 milhões. Bush anunciou um pacote de 1,2 bilhões para compra de vacinas e medicamentos contra a gripe aviária (fabricados pela Roche em acordo com a Gilead). O número de mortes por gripe aviária nos Estados Unidos foi: zero.

Façamos uma junção destes dados apresentados para entendermos o contexto. Sabemos que a indústria farmacêutica é uma "teta gorda", são grandes laboratórios que dominam as patentes e produções de vacinas e medicamentos, bem como as pesquisas e boa parte do conhecimento avançado sobre a medicina (vírus, doenças). Para esta indústria funcionar, precisam necessariamente de que as pessoas tenham motivos para adquirir medicamentos (atualmente temos bons motivos, de prevenção, para comprar Tamiflu, não é?).

O que eu quero deixar claro neste artigo é como o contexto pode alterar nossa visão sobre a gripe. Sabemos como a ganância e ambição do ser humano pode ir longe e que nem sempre a ética que costumamos comentar é aplicada. Existem interesses de muitos "jogadores fortes" que se mostram favoráveis à proliferação. A indústria farmacêutica não funciona muito diferente de outras indústrias, há necessidade de ter lucro por parte da empresa e de colocar seu produto no mercado. A economia também entra na roda, esta desaceleração das atividades (em Curitiba pelo menos) representa um atraso considerável para o desenvolvimento do país, sem contar que perdemos o foco que é o crescimento e a tão almejada (e consolidada) saída da recessão.

Sem esquecer que se trata de um vírus em mutação e sim, esta doença mata! Portanto, não esqueçamos que a prevenção é importante. Porém, eu proponho que cada um avalie melhor todas as informações sobre a Gripe A e não esqueçam que tratamos de uma pandemia, mas também de interesses econômicos.

Segue um vídeo que encontrei pela internet e achei interessante, ajuda-nos a visualizar o problema de outro ângulo:
http://www.youtube.com/watch?v=CcgCBiyGljM
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